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terça-feira, 17 de maio de 2022

Caminho do Imperador está proibido para ciclismo por ser área de preservação



No dia 1º de maio, ciclistas de Petrópolis (RJ) se surpreenderam com a notícia de que o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) estava fazendo uma ação no Caminho do Imperador e aplicando multa com a justificativa de aquela é uma unidade de conservação ambiental e que o acesso é proibido. O blog Foto e Bike foi atrás de informações e preparou esse conteúdo com informações importantes sobre o que aconteceu ali e o que os apaixonados por ciclismo podem fazer.

Por que o ICMBio proibiu ciclismo e outros esportes no Caminho do Imperador?


A ação do ICMBio foi na área da Reserva Biológica do Tinguá (Rebio do Tinguá) e ocorreu integralmente no município de Petrópolis. O fato pegou muitos ciclistas de surpresa, pois o Caminho do Imperador é muito utilizado para treinos, passeios e cicloturismo, além de fazer parte da Caminhos de Nossa Senhora - rota cicloturística que sai do Rio de Janeiro e vai até o Santuário Nacional de Aparecida.

Segundo informações publicadas pela Rebio em suas redes sociais, o objetivo "era coibir a prática ilícita de MotoCross no interior da Reserva Biológica do Tinguá na localidade conhecida como trilha do facãozinho", cuja área está inteira dentro da zona de proteção. Na ocasião, eles recolheram algumas motos e aplicaram multas que chegaram aos 10 mil reais, como mostra um vídeo publicado pelo De Bike na Montanha.

Para entender melhor o que foi essa ação e os motivos que levaram o ICMBio a proibir a prática do ciclismo, cicloturismo e outras atividades esportivas no Caminho do Imperador, o blog Foto e Bike conversou com o educador ambiental e historiador, Anderson Maverick, que há 25 anos atua na defesa do meio ambiente, sobretudo nas áreas de conservação.

Tipos de unidades de conservação próximas do ciclista


O ciclista praticante de mountain bike e cicloturismo sempre está em contato próximo com a natureza e esse ambiente, por vezes, está incluído em normas de proteção. As unidades de conservação ambientais são dividias em dois tipos: proteção integral ou uso sustentável. De acordo com Anderson Maverick, o ponto comum é que em ambos "o homem tem de cuidar para preservar aquilo que existe do bioma", no caso específico do Caminho do Imperador, a mata atlântica.

"Essas unidades de conservação são uma estratégia da sociedade civil e também do governo para a manutenção dos ecossistemas ligados à biodiversidade da mata atlântica e outros biomas que existem no Brasil, como caatinga e floresta amazônica, por exemplo", explicou.

Ciclista durante Brasil Enduro Series em Petrópolis
Próxima da natureza, ciclista participa do BES 2017 no Caxambu, Petrópolis - Foto: Davi Corrêa
Dentre os dois tipos de unidade de conservação ambiental, as de proteção integral possuem um regramento mais rígido. Nessas áreas as práticas de atividades físicas e esportivas, como é o caso do ciclismo mountain bike e ciclotursmo, não são permitidas. Quem desrespeita a norma está sujeito a multas, conforme previsto em lei, e ainda pode responder por crime contra o meio ambiente. 

No caso dos ciclistas, o valor da multa por desrespeitar a proibição de acesso ao Caminho do Imperador pode variar de R$ 1.010,00 até R$ 1.500,00, de acordo com informações obtidas pelo blog Foto e Bike junto à APA Petrópolis.

Caminho do Imperador está em unidade de conservação


Uma breve história do Caminho do Imperador pode ser vista no site da prefeitura de Paty do Alferes, mas, em resumo, o trecho levou anos para ser concluído e foi finalizado pelo engenheiro Otto Reimarus, em 1838. Anverson Maverick conta que "esse caminho era uma antiga ligação que ficava entre a região serrana do estado do Rio de Janeiro, onde a cidade polo era Petrópolis, e o interior do estado pelo vale do rio Paraíba do Sul. Na década de 1970, começou a se ter uma ideia de proteger esse vasto território onde a mata atlântica ainda é muito bem preservada".

Mata atlântica no Caminho do Imperador - Foto: Davi Corrêa
Mata atlântica no Caminho do Imperador - Foto: Davi Corrêa
Ao blog, Maverick ressaltou que é bom praticar MTB ou ciclcoturismo em um local antigo e dentro de uma floresta, mas lembrou que "todo o Caminho do Imperador está inserido em um pedaço de terra protegido que chamamos de unidade de conservação". 

"Essa unidade de conservação é integral, então ela possui regramentos mais rígidos para acesso. Por regra, através do Sistema Nacional de Unidades de Conservação da Natureza (SNUC), as unidades de proteção integral precisam de uma autorização do gestor, que nesse caso específico, é o ICMBio", contou.

Questionada sobre a possibilidade de entrada no Caminho do Imperador mediante autorização para cicloturismo ou outra prática ciclística, a APA Petrópolis informou que as chances são remotas. A resposta vai de encontro à explicação de Maverick ao relatar que as unidades de conservação integral são bastante restritivas e "têm o regramento que chamamos de plano de manejo, onde o acesso é completamente proibido". A exceção à regra se dá por meio de uma Ação Civil Pública do Ministério Público Federal de Petrópolis que libera o acesso apenas aos moradores do Vale das Princesas.

Ação do ICMBio não é punição aos ciclistas


Anderson Maverick fez questão de reforçar que as ações do ICMBio não são uma punição aos ciclistas que frequentam o Caminho do Imperador e nem às pessoas que praticam esportes que não agridem o local, pois todos têm noção dos benefícios que essas práticas para a saúde e para o meio ambiente em geral. A questão fica grave quando o cenário muda e começa a haver perturbações.

"Todas as atividades que não agridem o meio ambiente seriam realmente benéficas até para a questão de educação ambiental e ampliação dos agentes de proteção por todo o território. No entanto, o que tem acontecido é que nem todas as pessoas pensam dessa forma. Tem gente que vai para lá para jogar carro, fazer retirada e movimentação de terra para fazer construções, retirar árvores, caçar animais", disse Maverick.

No ano de 2021, a Fundação SOS Mata Atlântica e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) publicaram o Atlas dos Remanescentes Florestais da Mata Atlântica (período 2019-2020) onde identificaram que restavam apenas 12,4% de vegetação nativa acima de três hectares desse bioma no país. O mapeamento do relatório técnico abrangeu o território dos 17 estados definidos no Mapa da Área de Aplicação da Lei da Mata Atlântica.

"Tento sensibilizar as pessoas para que não cometam irregularidades dentro de suas áreas de proteção ambiental. O ciclista é sempre bem-vindo em tudo, até no turismo", diz Anderson Maverick. O historiador e educador ambiental com frequência utiliza suas redes sociais para conscientizar sobre a importância da preservação. 

"Ali é um lugar excelente para a gente fazer atividade física, mas, pela regra, não pode porque é uma unidade de conservação integral", pontuou.

Como o ciclista pode fazer sem o Caminho do Imperador?


Durante a conversa com o blog Foto e Bike, o educador ambiental, Anderson Maverick, deu três alternativas para quem quiser ir de Petrópolis até o Vale das Princesas por um caminho semelhante.

"A sugestão é fazer um caminho que não pegue esse acesso por dentro da floresta. Existe um percurso que sai do ponto final do Rocio que desce e sai no Vale das Princesas: seria uma alternativa".

A segunda opção "é pedir autorização à unidade de conservação e eles vão analisar o pedido. A terceira possibilidade seria não fazer uma ação que bata de frente com o que a unidade de conservação rege, porque aí pode ter algum tipo de problema", concluiu.

Fotos: Davi Corrêa / Foto e Bike
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sábado, 12 de fevereiro de 2022

Dica: bagageiro para bicicleta aro 29 bom e barato

Bicicleta com bagageiro Yamada instalado


Um bagageiro pode ser a melhor opção para quem pretende fazer deslocamentos diários de bicicleta. Junto com os alforjes, eles são ideais para carregar roupas, sapatos, marmita e outras coisas. Mas como encontrar um bagageiro que seja bom e que atenda às suas necessidades e as da sua bike?

Nessa publicação falo um pouco sobre o perrengue que passei até achar um bagageiro ideal para minha bicicleta e te conto o que achei dele. Isso vai te ajudar a encontrar um bagageiro bom e barato para você também.


Como já havia relatado aqui no blog Foto e Bike, comprei minha bicicleta em 2016 e um dos objetivos era utilizar o equipamento para fazer o deslocamento diário para o trabalho porque o preço da gasolina estava muito alto (ainda está!). Porém, com o tempo comecei a perceber que fazer isso com a mochila nas costas era possível, mas não era tão confortável e aí precisei buscar outras opções.
 
Fiz várias buscas por bagageiros para bicicleta aqui em minha cidade, mas não encontrei nada que se adequasse à minha bike, uma aro 29 com freios a disco e sem furação no quadro para esse tipo de suporte.

Pesquisei um pouco na internet e vi que havia modelos de bagageiro para bicicletas aro 29 muito bons, mas como o dinheiro estava curto e os que achei estavam bem acima do meu orçamento, peguei o mais simples e tive que adaptar. Ficou até bom, mas quando o alforje estava cheio e as vias muito esburacadas, o conjunto ficava trepidando demais e os parafusos com muita folga. Quando a gambiarra não fica boa o resultado é esse!

Bicicleta GTSM1 com bagageiro
Minha bicicleta na época do bagageiro adaptado

Em 2018 retomei o projeto de ir pedalando para o trabalho e usar a bicicleta mais vezes ao dia para ir ao mercado e fazer certas atividades. Com isso, tive que resolver o problema do bagageiro para poder fazer os 30 km diários para ir e voltar de bicicleta ao trabalho. 

Bagageiro de bicicleta Yamada H27-4: foi o ideal para mim


A solução foi alcançada com um bagageiro da Yamada, modelo H27-4. Esse bagageiro serve para bicicletas aro 26 e aro 29 e se encaixa perfeitamente nas bikes de freio v-brake ou a disco. Além do mais, a bicicleta não precisa ter furação para bagageiro, pois ele conta com blocagem para se fixar no canote do selim. 

Outro ponto que me fez escolher o bagageiro Yamada H27-4 foi a versatilidade dele. Ele tem capacidade para suportar de 9 Kg até 25 Kg. E aqui é preciso explicar direitinho: esse bagageiro conta com duas barras de reforço que vem junto com ele. Quando essas barras estão instaladas, você pode ultrapassar os 9 kg de carga aplicadas nele.

Bagageiro Yamada H27-4 instalado
Bagageiro Yamada H27-4 instalado

Em alguns locais é possível encontrar a informação de que esse bagageiro da Yamada suporta até 50 kg, mas eu acho que essa é uma visão muito otimista da situação e prefiro a parte mais conservadora: na dúvida, não sobrecarregue o bagageiro e sua bicicleta.

O bagageiro Yamada H27-4 atendeu às minhas expectativas tanto em relação à qualidade quanto ao preço. Vou ser sincero: não lembro quanto paguei na época, mas hoje em dia ainda é possível encontrar o mesmo bagageiro por menos de R$ 200,00.

Bagageiro de bicicleta da Yamada é bom mesmo?


Talvez você esteja com dúvidas em relação a esse bagageiro só porque ele é da Yamada. Bom, não é fazer propaganda da marca (até porque não sou fã deles quando se trata de câmbio de bicicleta), mas esse bagageiro de bicicleta realmente surpreendeu e durou muito. Como disse antes, eu comprei ele em 2018 e usei direto pegando sol, chuva, poeira e tudo o que tem direito. Conclusão: ainda tenho o produto e ele continua me atendendo muito bem. Ainda pretendo utilizar ele numa cicloviagem em breve.


A título de curiosidade, utilizei ele na minha aro 29 que tem freio a disco e também utilizei em uma outra bicicleta que era aro 26 e com freios v-brake. Ficou perfeito nas duas!

Pontos positivos do bagageiro Yamada H27-4


Como já falado, o bagageiro Yamada H27-4 serve tanto para bicicletas aro 26 quanto aro 29, de freio a disco ou v-brake. Ele é fabricado em alumínio e sua fixação é feita por meio de blocagem que prende no canote. Então é preciso ficar atento a um detalhe fundamental: ele só pode ser instalado em canotes de 22,2 mm a 31,8 mm.

Blocagem do bagageiro Yamada H27-4
Blocagem do bagageiro Yamada

Um detalhe muito interessante é que após usar esse bagageiro na minha bicicleta durante um mês inteiro os parafusos não apresentaram nenhum sinal de folga e ele não ficaram batendo ou vibrando como ficavam naquele outro bagageiro que eu tinha adaptado.

Outro ponto muito positivo do bagageiro Yamada H27-4 é sem sombra de dúvida o preço: como eu não tinha condições de investir muito comprando bagageiros renomados, pegar um por menos de R$ 200,00 para mim foi excelente. E quando junto isso ao fator de que ele é muito durável posso concluir que tem um excelente custo benefício.

Pontos negativos do bagageiro Yamada H27-4


Como nem tudo são flores, o bagageiro Yamada não é perfeito. O ponto negativo não vai nem para o produto em si, mas é que ele não veio com manual de instruções para auxiliar na instalação. Beleza que não é difícil de instalar o bagageiro na bicicleta, mas é que se viesse com manual esse poderia conter recomendações sobre o uso correto, formas de conservação e todas aquelas informações do fabricante.


Pensei que a situação do manual tinha acontecido só comigo, mas não. Soube de vários relatos de outros usuários que também tiveram esse problema, mas que também não tiveram dificuldade para instalar o bagageiro em suas bicicletas. 

Outra coisa que também não gostei muito é que precisei de pelo menos pelo menos quatro ferramentas diferentes para conseguir instalar o esse bagageiro Yamada H27-4 completo na minha bicicleta. Mas mesmo assim não foi difícil (nada que aquele canivete de ferramentas não resolva).

Ficha técnica do bagageiro de bicicletas Yamada H27-4


- Fabricado em alumínio super-resistente;
- Tipo de fixação: blocagem para canote do selim;
- Medidas do canote: de 22,2 mm a 31,8 mm com borracha ajustadora inclusa e/ou 31,6 mm diretamente no canote;
- Medidas da base: 14 X 35 cm;
- 2 barras de reforço para fixação no seat stay
- Carga Recomendada: 9 kg a 25 kg;
- Acompanha um elástico extensor;
- Peso aproximado: 1160 g

Bom, é isso galera! Se você está procurando um bagageiro para instalar em sua bicicleta eu recomendo o Yamada H27-4 por três motivos: ele é bom, é durável e o melhor de tudo: é barato!
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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2022

Ituporanga vai criar rota de cicloturismo nos moldes do Vale Europeu

Ciclista em bicicleta com alforjes para cicloturismo e cicloviagem


A cidade de Ituporanga (SC) vai implantar uma rota de cicloturismo nos moldes do que já existe no circuito Vale Europeu Catarinense. O projeto foi apresentando na segunda semana de fevereiro (2022) durante reunião na Associação dos Municípios do Alto Vale do Itajaí (Amavi).

Segundo informações da prefeitura Ituporanga, a criação da rota de cicloturismo no município já estava sendo estudada desde 2021. A intenção é criar um circuito que liga Ituporanga a Serra Catarinense, passando por Petrolândia, Otacílio Costa, Palmeiras, Lages, Urupema, Urubici, Bom Retiro, Chapadão Lageado e retornando para Ituporanga.


A criação da rota de cicloturismo vai atrair mais visitantes para a cidade de Ituporanga. Hoje o município conta com mais de 50 atrativos turísticos e deve receber ainda mais visitantes com o Santuário de Nossa Senhora de Lourdes e do Louvor que deve ser inaugurado ainda no primeiro semestre deste ano. A expectativa é que Ituporanga se torne uma referência no turismo a nível estadual e nacional, e a busca em incentivar o turismo por meio da bicicleta faz parte desse objetivo.  

O presidente da Fexponace, Paulo Roberto Ribeiro, salienta que a rota de cicloturismo é mais uma opção para os visitantes, especialmente os amantes de duas rodas. "O que era projeto agora começa a virar realidade e teremos também algo voltado ao cicloturismo já que o número de pessoas que gosta de andar de bicicleta como prática de atividade física e hobby está crescendo. São pessoas que virão para nossa cidade, vão conhecer o município e contribuir com a economia local", comentou.

Durante os próximos dias um grupo de Blumenau (SC) estará em Ituporanga para discutir a implantação da rota de cicloturismo. A ideia é criar vários trajetos sinalizados e com pontos de apoio para os ciclistas. Para isso a Administração Municipal segue trabalhando em conjunto com a Amavi e fazendo parcerias com pessoas e empresas.

Ituporanga também ganhará rota de peregrinação


A cidade também terá em breve uma rota de peregrinação religiosa que é o Caminho do Louvor, idealizada pelo empresário Eduardo Bittelbrum e que está em fase de implantação.  Ela vai ligar o Santuário de Nossa Senhora de Lourdes e do Louvor, em Ituporanga, ao Santuário de Santa Paulina em Nova Trento.


O percurso base tem cerca de 150 quilômetros de distância por estradas não pavimentadas, baixo fluxo de veículos e com grande oferta de riqueza natural, buscando proporcionar aos peregrinos momentos de reflexão e inspiração, de maneira segura, sinalizada e estruturada.

Texto com informações da Prefeitura de Ituporanga
Foto: Fernando Northpak/Pixabay
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quinta-feira, 14 de março de 2019

Idosa aposentada percorreu mais de 16 mil quilômetros de bicicleta

Ethel MacDonald. Foto: Reprodução/Facebook

Norte americana e professora de francês aposentada, Ethel MacDonald escolheu fazer viagens incomuns àquelas que a maioria dos aposentados faz. Desde 2003, quando se aposentou, ela vem conhecendo o mundo pedalando.


Ethel tem duas bicicletas: uma na casa de uma amiga na Europa e outra em Missoula – Montana (EUA) onde vive. A primeira cicloviagem começou na costa atlântica francesa. Normalmente suas viagens duram entre três e quatro semanas.

Ethel utiliza sites conhecidos dos cicloturistas e mochileiros para encontrar lugar para dormir (o Warm Showers e o Couchsurfing), mas, segundo ela, além de economizar com a hospedagem o principal motivo para utilizar-los é o de conhecer pessoas “fantásticas e inspiradoras”. Ela acredita já ter ficado em mais de 165 casas diferentes e recebido mais de 200 outros viajantes em sua casa.


Curiosamente, Ethel só aprendeu a andar de bicicleta aos 30 anos. Em 2016 ela calculou já ter percorrido mais de 16 mil quilômetros viajando de bike e não pretende parar.
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segunda-feira, 2 de julho de 2018

14 cicloviagens para conhecer o Brasil

Ciclista de bicicleta praticando cicloviagem
- Há várias opções para cicloviagens no Brasil. Foto: Fernando Northpak/Pixabay -

Força, disposição e tranquilidade para percorrer o caminho no próprio tempo e respeitando os limites do corpo são essenciais para uma cicloviagem de sucesso – isso e muita água, é claro. Um país imenso como o Brasil tem muito mais a oferecer do que os já inúmeros, diversos e fascinantes destinos turísticos.

O mais comum é passar por paisagens estonteantes sem percebê-las direito, com a pressa em chegar, fazer check-in no hotel e “começar a aproveitar”. Em uma cicloviagem, essa lógica se inverte: a cereja do bolo é o caminho percorrido e o ponto de chegada é o fim do passeio.


Entre uma cidade, praia, cachoeira e outra, a terra está repleta de pássaros silvestres cantando bonito, flores cheirosas, riachinhos de água fresca, plantas desconhecidas, animais selvagens que podem (ou não) dar o ar da graça, mas só aproveita quem permanece mais tempo no trajeto, o que é difícil usando um meio de transporte motorizado, que passa zunando e assustando a fauna mais tímida.

Uma grande vantagem do cicloturismo – e do ecoturismo em geral – é a preocupação com a preservação do meio ambiente, seja no uso de meios de transporte sustentáveis (na bicicleta, o único combustível é a comida que o ciclista consome) ou na preocupação dos viajantes em cuidar do ambiente que está percorrendo, fazendo descarte consciente do próprio lixo, por exemplo.

Numa viagem de bike, também é preciso praticar o desapego: não dá pra levar uma muda de roupa para cada dia, nem todos os produtos de higiene que está acostumado a usar em casa no dia a dia. Ao experimentar um modo de vida mais simples na estrada, quem sabe não inspira a simplificar também o cotidiano?

14 cicloviagens para conhecer o Brasil sobre duas rodas de bicicleta


1. Serra da Canastra (MG)


O Parque Nacional da Serra da Canastra e dezenas de reservas ecológicas particulares na região têm estradinhas de terra que dão acesso a cachoeiras e mirantes belíssimos, muito procurados por cicloturistas e travessias à pé. Há uma grande oferta de campings, alguns deles próximos a piscinas de água termal e quente, hmmm!

A região fica próxima à capital Belo Horizonte e pode ser percorrida em um, dois ou mais dias, seja carregando todos os equipamentos a cada deslocamento ou estabelecendo bases onde deixar a maioria da bagagem para explorar as cachoeiras e subir as serras com menos carga (Mathias Fingermann/Flickr)

2. Circuito das Araucárias (SC)


Este percurso está bem sinalizado com placas ao longo dos seus 250 km de estrada de terra, que começa e termina em São Bento do Sul. Entre as atrações, estão as florestas de araucárias, coníferas da Mata Atlântica do sul do Brasil que estão em extinção a Rota das Cachoeiras (só pode ser percorrida à pé, mas vale a pena deixar a bike por cerca de 4 horas para percorrê-la!) e a área de proteção ambiental dos Campos do Quiriri (foto). Mais informações na página oficial do circuito (Fabricio Celso/Flickr)

3. Circuito Vale Europeu (SC)


Os 350 km de estradas de terra tranquilas formam o primeiro roteiro brasileiro planejado para o cicloturismo. O circuito passa por pequenos vilarejos construídos por imigrantes europeus no final do século 19 e pode ser percorrido com calma em 7 dias de viagem. O site oficial do circuito tem excelentes informações sobre a região, preparos, roteiros e outras dicas úteis sobre o Vale Europeu (Carlos Neckel/Flickr)

4. Parque Nacional de Aparados da Serra, Serra Geral e São Joaquim (RS/SC)


Os três parques nacionais somam mais de 40 mil hectares na fronteira entre Rio Grande do Sul e Santa Catarina. É possível acampar em um ou dois lugares diferentes e usá-los como base para explorar as montanhas e cânions em volta. São diversas trilhas que podem ser percorridas de bicicleta, que passam pelos 64 cânions da região, algumas exigem bastante preparo físico. Os mais famosos são os do Itaimbezinho, Fortaleza, Malacara, Churriado e Coroados.


O cânion do Itaimbezinho tem profundidade de mais de 1.500 metros, mais que o Grand Canyon, nos Estados Unidos! No Parque São Joaquim, apesar das montanhas, há vários trechos planos bons para pedalar – e a vista estonteante do Morro da Igreja (foto), que tem 1822 metros de altitude e temperaturas abaixo de zero no inverno (Otávio Nogueira/Flickr)

5. Circuito Costa Verde e Mar (SC)


Uma rota de cicloturismo que passa pelo litoral catarinense. Nela, ciclistas pedalam com vista para o mar e passam por pequenos vilarejos no interior do estado de Santa Catarina. São 270 km que passam por estradas de terra e vias urbanas, com o mínimo de rodovias. O caminho começa (ou termina) em Balneário Camboriú, uma das praias mais badaladas do estado, e vai até Camboriú, no interior. Leia o guia completo para realizar a rota (Júnior Dias/Flickr)

6. Estação Ecológica Juréia — Itatins (SP)


A estrada é de terra, mas é boa e não são permitidos carros, o que torna tudo mais seguro. O caminho desce pela úmida e exuberante Serra do Mar até a vila Barra do Una, à beira da praia. Dá pra fazer o passeio em uma manhã e almoçar em Barra do Una. Para voltar... Você pode pedalar morro acima ou pegar um ônibus (MAndrade/Flickr)


7. Estrada do Sol (SP)


Essa estrada de 75 km de Salesópolis à estrada Rio-Santos entre as cidades praianas de Caraguatatuba (+10 km) e São Joaquim (+17 km). Ela é também conhecida como “Estrada da Petrobrás”, usada em algumas ocasiões por funcionários da empresa. Na maior parte do tempo, as bicicletas são os únicos veículos nessa rota que passa por dentro do Parque Estadual da Serra do Mar. No começo do trajeto, há subidas bastante íngremes, mas a estrada está em boas condições e, depois do primeiro terço do caminho, há muito mais descidas (e a bela vista da Serra do Mar em seu estado bruto) (Hélio Bertolucci Jr/Flickr)

8. Caminho da Luz (MG)


Esta rota de 200 km passa por Minas Gerais quase na fronteira com Espírito Santo e Rio de Janeiro. Ela começa na cidade de Tombos e termina em Alto Caparaó. As vias são, em sua maioria, de estrada de terra, e cortam distritos pequenos e muita natureza. O trajeto todo pode ser percorrido em 4 dias com folga. De Alto Caparaó, é possível subir até o Pico da Bandeira.Veja mais informações no site oficial (ilejr/Flickr)

9. Estrada Real (MG)


A Estrada Real é uma rota turística que pode ser percorrida de carro, a cavalo, de bicicleta e até a pé. São mais de 1630 km de extensão, nos estados de Minas Gerais (principalmente), São Paulo e Rio de Janeiro. Alguns trechos da Estrada são melhores para o cicloturismo que outros, sendo que o Caminho dos Diamantes e o Caminho Velho têm estradas menores com menos trânsito de carros, o que os torna mais seguros e agradáveis para as duas rodas. 


A Estrada Real passa por diversos parques nacionais e estaduais, tem dezenas de cachoeiras, cidades charmosas, boa gastronomia, sítios arqueológicos e não faltam opções de hospedagem para todos os orçamentos. (Mathias Fingermann/Flickr)

10. Serra da Mantiqueira de Monte Verde (MG) a Mauá (RJ)


O caminho pelas estradas de terra do sul de Minas até o interior do Rio de Janeiro passando por Campos do Jordão em São Paulo percorre uma parte da imponente Serra da Mantiqueira. O caminho é cheio de altos e baixos e pode ser percorrido em 8 a 10 dias de viagem, dependendo das condições físicas dos cicloturistas (e da pressa). Cidadezinhas pequenas, cachoeiras, o Pico dos Maris e o impressionante Parque Nacional do Itatiaia são algumas das belezas do caminho, que termina nas cachoeiras de Mauá (Glauco Umbelino/Flickr)


11. Trans Mantiqueira, travessia pela Serra da Mantiqueira (MG)


Este é um caminho mais curto que também passa pela Mantiqueira. A travessia tem 100 km, dura dois dias e se restringe aos municípios de Baependi, Caxambu, Aiuruoca e Vale do Matutu. São trilhas de mata fechada, estradas de terra e belas paisagens (Mathias Fingermann/Flickr)

12. Serra do Espinhaço (MG e BA)


A Serra do Espinhaço costumava ser uma cordilheira há milhões de anos. Com a ação do tempo, ela já não é mais uma cadeia de montanhas, mas ainda é uma formação rochosa imponente e comprida, que vai do centro de Minas Gerais até o sertão da Bahia. A travessia começa pelo Caminho dos Diamantes, da Estrada Real, e depois continua pelos Parques Estaduais de Grão Mogol e Serra Nova até cruzar a fronteira com a Bahia e seguir caatinga adentro até a Chapada Diamantina. É uma travessia dura, longa (quase 2 mil km!) e que passa por três ecossistemas brasileiros: Mata Atlântica, Cerrado e Caatinga (Denise Mayumi/Flickr)

13. Caminhos do Imperador (AL)


Esta cicloviagem refaz o caminho percorrido pelo Imperador Dom Pedro II em 1859 pelo estado do Alagoas. A rota vai subindo o Rio São Francisco partindo de Penedo até Piranhas. O Imperador, na época, foi até Delmiro Gouveia e Paulo Afonso, mas essas duas cidades não existem mais devido às hidrelétricas que inundaram a região, então o ponto final dos ciclistas é mesmo em Piranhas (foto). De lá, é possível fazer uma trilha até a Grota de Angicos, onde Lampião, Maria Bonita e seu bando foram emboscados e mortos depois de 30 anos de cangaço (Erika Morais/Flickr)

14. Arqueologia do Sertão (PI)


O Parque Nacional da Serra da Capivara abriga diversas pinturas pré-históricas e achados arqueológicos impressionantes! Sua importância histórica se junta à beleza da região, que está coberta por vegetação agreste de flores coloridas da caatinga, tem formações geológicas impressionantes e cânions profundos. Seu tempo de permanência na região vai depender da sua disposição.

Não há apenas um caminho – para conhecer tudo, será preciso uma semana pelo menos. Há algumas boas estradas asfaltadas e outras de terra e é possível hospedar-se em alguns povoados no caminho. Leve grandes contêineres de água, pois o parque é grande, o calor é intenso e há poucos pontos de abastecimento.

Publicado originalmente em Viagem


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